As infeções hospitalares continuam a ser uma das principais causas de mortalidade evitável em todo o mundo. Todos os anos, milhares de pacientes são afetados por infeções adquiridas durante o internamento. Este é um problema que não decorre da falta de conhecimento médico, mas de falhas humanas, sobrecarga de processos e ausência de mecanismos de monitorização em tempo real.
Num setor em que cada segundo conta, a transformação digital não é apenas uma oportunidade: é uma necessidade vital. A tecnologia já demonstrou a sua capacidade para antecipar riscos, apoiar decisões clínicas e, sobretudo, salvar vidas. Hoje, a combinação entre IoT, visão computacional e análise avançada de dados permite criar ecossistemas hospitalares mais seguros, inteligentes e eficientes.
Da reação à prevenção
Historicamente, a resposta às infeções hospitalares tem sido reativa. Apenas após o aparecimento de casos é feita a investigação das causas — muitas vezes tarde demais. Com o avanço da tecnologia, é possível inverter este paradigma.
Sensores IoT instalados em ambientes críticos, como blocos operatórios e unidades de cuidados intensivos, permitem monitorizar continuamente variáveis como temperatura, humidade e fluxo de ar, identificando condições que favorecem a proliferação de microrganismos. Sistemas de visão computacional analisam em tempo real o cumprimento dos protocolos de higienização, alertando equipas quando há falhas na lavagem de mãos, desinfeção de superfícies ou utilização de equipamentos de proteção.
Mas o verdadeiro poder está na integração de dados. Através de plataformas como a desenvolvida pela Whymob, é possível consolidar informações provenientes de diferentes dispositivos e sistemas hospitalares, criando uma visão única e dinâmica da operação. Ao identificar padrões e correlações entre comportamento humano, variáveis ambientais e incidência de infeções, estas plataformas permitem agir antes que o problema aconteça.
O exemplo do ySmart
Um dos casos mais promissores é o ySmart, uma solução da Whymob que integra visão computacional e análise de dados para monitorizar ambientes hospitalares de forma contínua e não intrusiva.
Com recurso a algoritmos de IA, o ySmart reconhece automaticamente procedimentos críticos, deteta desvios de segurança e emite alertas em tempo real. O objetivo não é substituir profissionais, mas apoiá-los, garantindo que protocolos são cumpridos de forma consistente, mesmo em momentos de pressão ou fadiga.
Ao longo das implementações piloto, a solução demonstrou reduções significativas nas taxas de infeção e ganhos claros de eficiência operacional. Menos infeções significam menos dias de internamento, menos antibióticos administrados e menor pressão sobre equipas e orçamentos hospitalares.
Impacto humano e económico
Os benefícios vão muito além da tecnologia. Um hospital mais seguro é um hospital que transmite confiança — aos profissionais, aos pacientes e às suas famílias. A redução de infeções traduz-se diretamente em vidas poupadas, em maior qualidade assistencial e em menor desperdício de recursos.
A nível económico, estima-se que as infeções hospitalares representem até 7% dos custos totais de internamento em países desenvolvidos. Soluções inteligentes, como o ySmart, permitem reduzir esses custos de forma mensurável, libertando verbas para investimento em formação, equipamentos e inovação.
O futuro é preditivo
A digitalização do setor da saúde está a avançar, mas o desafio agora é torná-la inteligente — conectando dados, sistemas e pessoas num único ecossistema. Quando tecnologia e ciência trabalham em conjunto, o hospital deixa de ser apenas um espaço de tratamento e passa a ser um organismo vivo, que aprende e se adapta continuamente.
Na Whymob acreditamos que o futuro da saúde se constrói na intersecção entre dados, tecnologia e propósito humano. Porque cada dado recolhido, cada alerta emitido e cada processo otimizado tem um impacto direto e mensurável: vidas que são salvas, todos os dias.
